A nova tendência de travões de disco começa a ganhar cada vez mais adeptos e se poucos questionam o seu uso e funcionalidade em bicicletas de estrada, o mesmo não se pode afirmar no que toca a bicicletas de contra relógio ou triatlo. O argumento principal é o facto de não existirem segmentos técnicos ou situações de pelotão na grande maioria dos percursos de contra relógio ou triatlos de longa distância que justifique (tanto) uma capacidade de travagem superior.

É inegável que a performance de travagem de um travão de disco é bastante superior à dos travões de aro e em situações extremas – descidas perigosas, percursos muito técnicos que requerem travagens apertadas e de última hora ou travagens de reflexo em situações de grupo – pode de facto fazer a diferença entre cair ou não evitar o acidente. Outra das mais valias dos travões de disco é a sua performance debaixo de chuva onde os travões de aro, mesmo com calços específicos, perdem alguma da sua capacidade. Alguns dos fabricantes de bicicletas começaram também a vender como standard eixos ‘thru-axle’ em bicicletas com travões de disco. Estes thru-axles oferecem uma maior rigidez ao conjunto, um maior poder de resposta ao torque exercido nas curvas e ao acelerar/sprint. Na prática, dificilmente o comum mortal consegue sentir a diferença. Estou convencido que para bicicletas de estrada é uma mais valia tanto para a performance como para a segurança e deveria ser um upgrade que todos devíamos fazer eventualmente. Em bicicletas de triatlo, assumindo que não vamos andar em grupos ou a descer o Alpe d’Huez, alguns outros factores entram em equação.

 

Aerodinâmica

Invariavelmente os travões de disco, assim como o posicionamento dos travões de aro, afectam a aerodinâmica da bicicleta e é comum haver alguma confusão sobre se os travões de disco são ou não mais aerodinâmicos que os travões de aro. Confusão essa causada em parte pela mensagem que a indústria transmite ao consumidor. A verdade é que até hoje as bicicletas de estrada eram optimizadas, aerodinamicamente falando, para travões de aro e o design do quadro+garfo tem uma grande influência no “aero” resultado final.

Por exemplo, aqui há poucos meses a Giant lançou uma nova versão do seu modelo aerodinâmico de estrada, a Propel, com travões de disco, alegando que esta nova versão era mais aerodinâmica que a versão anterior com travões de aro. Ora isto pode passar a mensagem de que os travões de disco são mais aerodinâmicos que os travões de aro mas na realidade apenas nos diz que o modelo da Propel optimizado para os travões de disco é mais aerodinâmico que o modelo da Propel optimizado para travões de aro. Percebem a diferença? Por outro lado, alguns fabricantes dizem que a sua versão de travões de aro é mais aerodinâmica que a versão disco. No final do dia não é preto no branco qual dos dois sistemas – disco ou aro – é mais aerodinâmico porque depende do design global da bicicleta.

 

Manutenção

Se fazem ciclismo ou triatlo já há algum tempo, é provável que hoje em dia já saibam ajustar travões de aro, mudar calços de travão e se calhar até mudar e ajustar cabos. Dependendo do vosso background, se calhar até já o fazem desde crianças. Ora travões de disco requerem um novo conjunto de habilidades e aprendizagem.

Existem dois tipos de travões de disco: os hidráulicos e os mecânicos e apesar da manutenção de ambos não ser uma tarefa do demo nem nada de difícil aprendizagem, os travões hidráulicos requerem uma manutenção um pouco mais regular e, à semelhança do que acontece com as suspensões das bicicletas de montanha, precisam de um kit de manutenção do fabricante. No geral, é um pouco mais simples e intuitivo aprender a manutenção dos travões de disco mecânicos mas em ambos os casos existem já imensos tutoriais no youtube sobre a mesma. Preparem-se no entanto para voltar à “escola”.

 

Segurança e confiança

Travões de disco oferecem uma maior segurança e essa pode traduzir-se em confiança no dia da prova. Um atleta confiante irá sempre ter uma performance superior, não só no segmento de ciclismo em si como durante todo o decorrer da prova.

Dois exemplos práticos: o Ironman Nice tem um percurso de ciclismo com uma descida longa de 20km na fase final e com o aproximar da prova a minha visualização apenas se focava em não cair naquela descida. Não bastasse já estar nervoso com o decorrer da prova, este stress adicional poderia ser suavizado se tivesse travões de disco e uma maior capacidade de travagem. Isto tendo já em conta os travões de aro da Quintana Roo que são, por si só, acima de outras bicicletas de contra-relógio que experimentei.  O segundo exemplo é o do Ironman UK/Bolton onde as condições meteorológicas condicionaram muito a minha confiança no segmento de ciclismo e, provavelmente, performance, simplesmente porque os travões de aro perdem muita da sua capacidade com chuva e lama.

 

Então.. vale a pena?

Até hoje nunca usei travões de disco em estrada e das poucas vezes que andei de BTT nunca passei por situações em que tivesse de levar a travagem ao extremo. Não tenho dúvidas quanto à capacidade superior de travagem das versões de disco e acredito inclusive que mesmo na bicicleta de contra-relógio, depois de experimentar não vou querer outra coisa.

Ainda não estou inteiramente convencido que seja algo que melhore a minha performance em Triatlo ou contra-relógio excepto em provas muito específicas como referi em cima. Em 2019 irei usar a PRSix Disc da Quintana Roo e talvez tenha uma opinião diferente no final do ano.

Certo é que quando se muda para travões de disco temos também de mudar as rodas com que rolamos tanto em treino como em prova e acaba por ser um investimento um pouco mais avultado. Parece que os travões de disco vieram para ficar… uns tempos. Se vale a pena mudar já ou não, a minha resposta ainda não é óbvia.

Sobre o autor:
Pedro Gomes

Pedro Gomes

Atleta profissional de Triatlo

Atleta profissional de Triatlo focado na distância IRONMAN™ e a competir no circuito mundial da distância promovido pela World Triathlon Corporation. Treinador pessoal de triatlo, formado pela QT2 Systems e Ironman U™,

Recursos para Triatletas

Onde nadar?

Nem sempre é fácil encontrar uma piscina para nadar e por isso criámos um directório com os melhores 'spots' para dar umas braçadas.

Rotas para Ciclismo

Descobre os nossos percursos recomendados para pedalar em segurança.

Grupos de Corrida

Companheiros de estrada ou trilhos e autênticos 'cavalos de corrida'.

*brevemente disponível*

Define um objectivo.  Encontra um equilíbrio. Aceita o desafio. Desfruta da recompensa.

Se não é possível esticar as 24 horas de um dia, torna-se imprescindível ser organizado e encontrar um ponto de equilíbrio entre o treino, a recuperação e a vida profissional e familiar daí se considerar que mais que um desporto, o triatlo é um adoptar de um novo estilo de vida.

É possível encontrar vários planos de treino online mas onde a progressão do treino não equaciona aquelas sessões perdidas por falta de tempo ou disponibilidade emocional.

No Treino Triatlo acreditamos que um plano de treino deve ser customizado e ajustado ao teu dia a dia e que a progressão seja feita ao teu ritmo.