A época natalícia representa para qualquer atleta um verdadeiro desafio. Mesa farta, sempre a jeito em modo ‘buffet’ no sala de jantar e a tendência para comer mais do que não se deve é muita. Sempre fui da opinião que não se deve fazer uma grande restrição alimentar e que se deve comer de tudo. Como todos nós também já fiz o oposto e em fases de aproximação de provas é natural os atletas terem uma tendência natural para ser mais restritivos do que o normal. Claro que se deve ter fazer alguma restrição porque ninguém quer carregar quilos a mais montanhas acima, contudo, durante a época natal as tentações são muito maiores. A grande maioria dos atletas no hemisfério norte já passou por uma fase de descompressão depois de uma época de verão sempre longa e estão agora numa fase de treino de base, carregando aos ombros uns quilos a mais já mesmo antes de enfrentar as mesas de Natal. É portanto também natural que todos os anos, os excessos aconteçam e estas são as minhas dicas para ‘sobreviver’ à época natalícia, sem ganhar muito (mais) peso do que aquele que já tentam equilibrar nesta fase do ano:

– Não sejam demasiado restritivos em Dezembro – a verdade é que ao serem demasiado restritivos, estão a abrir portas a um monumental excesso no Natal. Um daqueles que ‘perdido por cem, perdido por mil’. Enquanto ter uma ou duas refeições por semana mais ricas em algo que apreciam, ou em maior quantidade, é até recomendável, a verdade é que ao serem demasiados restritivos, estão a habituar o vosso corpo a viver e funcionar com menos. Ou seja, o vosso metabolismo basal baixa e a restrição de calorias cada vez tem se der mais apertada para ser se quer visível na balança. O que invariável acontece é que um dia vão ter um monumental excesso, um daqueles dias em que comem tudo o que têm em vossa casa, na do vizinho e ainda ligam para o Uber Eats. Para além de muito pouco saudável, o vosso corpo vai tentar armazenar o máximo que consegue porque não sabe quando será a próxima vez que a fartura é tanta, isto já depois de se ter habituado a viver com pouco. E a seguir a um grande excesso, normalmente o efeito bola de neve torna-se real e enquanto se lembrarem da sensação de satisfação que a comida vos deu, é muito mais provável que voltem a incorrer no mesmo ‘pecado’. Portanto, sejam assertivos com uma alimentação saudável e qb. de restritiva durante quase toda a semana, mas introduzam uma ou duas refeições mais ricas em hidratos de carbono, também por semana, onde comem o que vos apetece. Assim, estas refeições vão acabar por ser pequenos excessos, ajudam o corpo a manter um metabolismo basal saudável e relativamente elevando e o vosso corpo vai saber lidar melhor com o extra, armazenando o que precisa apenas e livrando-se do que não precisa. Pessoalmente, uso sempre estes meus jokers no dia que antecede o maior conjunto de treinos da semana.

– Criem um ‘buffer’ antes do Natal – durante o mês de Dezembro, podem sempre antecipar aquela semana ‘terrível’ entre o Natal e o Ano Novo com um pouco mais de empenho e volume no treino. A tal semana provavelmente vai ter muito mais encontros familiares do que o normal e é natural que o volume e, consequentemente, gasto calórico seja também menor. Se criarem um pequeno buffer de fadiga e treino até ao natal, desfrutar da semana de natal será algo mais informal, despreocupado e relaxado. Até podem comer um pouco mais do que o normal e ajudar o vosso corpo a restabelecer as reservas de glicogénio, regenerar as fibras musculares, fustigadas depois de um mês de trabalho.

– Um pouco de tudo – comer um pouco de tudo é, na verdade, a melhor maneira de sobreviver ao Natal. Provar de tudo, mas levar à risca a parte do ‘um pouco’. Não só não ficam sem provar os doces da tia, da avó e o cabrito da sogra, como é muito mais fácil resistir a comer muito de cada. Escolham um prato pequeno para começar, assim a pequena porção, visualmente, até vos vai parecer prato cheio! No que toca a comer – muito ou pouco – o importante é enganar o cérebro!

– Invistam nos líquidos – parece parvo mas nem sempre a ‘fome’ que sentem é realmente fome. Muitas vezes é gula e muitas outras vezes é, na verdade, sede. Não quero que pareça que estou a incentivar emborcarem litro e meio de refrigerante ou regarem a refeição com uma pipa de vinho, até porque estes também têm muitas calorias. Mas comam e bebam água e/ou sumos naturais, evitando os refrigerantes e álcool. Ainda me lembro do António Pinto, no seu auge, falar do seu copinho de vinho por refeição. Podem e devem beber o mesmo copinho de vinho, até porque o vinho é rico em antioxidantes, mas tudo o resto deverá ser água e sumos. Se estão viciados em refrigerantes, optem por água com gás que parece satisfazer esse desejo de forma muito semelhante. No final do dia, o facto de beberem bastantes líquidos ajuda a encher o estômago e dar uma maior sensação de saciação. Lá está, enganam o cérebro!

– Habituem-se a deixar sempre um pouco no final de cada prato – é um hábito que parece promover o desperdício de comida mas ajuda bastante a controlar o repetir desenfreado. Quando estão na fase final do prato que estão a comer, deixem sempre um pouquinho no canto e pousem os talheres. O acto de deixar um pouco no prato, parece evitar o repetir até porque, na maior parte das vezes, o que já tem no estômago é suficiente para saciar a fome mas ainda não deram tempo a que a informação chegasse ao cérebro. O mais provável é que ao deixarem um pouco e se abstraírem da comida, deixem passar tempo suficiente para começar a digestão e o voo de ida e volta à travessa para repetir o que, por sinal, estava muito bom, fica em terra.

– Se é para comer, comam na hora antes ou na hora depois de um treino – se os vossos pecados são principalmente doces, façam o exercício de comer esses mesmos doces na hora antes ou logo a seguir a um treino. Querem muito uma fatia dourada? Uma azevia? Que excelente pré-treino! Os doces são maioritariamente açúcar que podem facilmente ser usados como fonte de energia para os vossos treinos. Em alternativa, podem ser também usados para restabelecer as vossas reservas de glicogénio, logo a seguir aos treinos. Claro, não são os açúcares ideais mas, mal o menos, pode-se suavizar o impacto e malefícios dos mesmos com um bom timing.

Estou certo que há muito escrito sobre este assunto e muitos outros truques espalhados pela internet. Também tenho certeza que nem sempre o que funciona para uns, funcionará para todos, e afinal é natal. Altura de relaxar, comer um pouco mais e carregar energias para um Janeiro que se espera frio, muito comprido e onde tudo o que acumularem durante a época natalícia irá dissipar-se nas saídas longas de bicicleta, mais depressa ou mais devagar!

Sobre o autor:
Pedro Gomes

Pedro Gomes

Atleta profissional de Triatlo

Atleta profissional de Triatlo focado na distância IRONMAN™ e a competir no circuito mundial da distância promovido pela World Triathlon Corporation. Treinador pessoal de triatlo, formado pela QT2 Systems e Ironman U™,

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